espiritualidade

Estaremos abordando o tema da espiritualidade com base no Livro dos Espíritos de Allan kardec para que criemos entendimento e possamos sair da ignorância em relação ao natural.

Sofia Brant

Que consequência se pode tirar do sentimento intuitivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

“Que Deus existe; pois, de onde lhes viria esse sentimento, se não se apoiasse em alguma coisa? É ainda uma consequência do princípio de que não há efeito sem causa.” Desde o princípio da Humanidade, as antigas civilizações já pensavam sobre e passavam uns aos outros ideias de uma (ou várias) divindade(s), captando esses vagos pensamentos sem explicação de onde viriam. Esse “sentimento intuitivo”, como chamou Kardec, não poderia não ter uma causa, visto que não existe acaso num Universo tão sincronizado e inteligente. Como disseram-lhe os Espíritos, a causa dessa intuição, própria de todos os homens – mesmo os céticos, uma vez que se questionam e filosofam em cima desse tema –, seria a existência de Deus em si. É impensável que tamanha organização universal não tenha um Maestro Regente, soberanamente Justo e Bom, Inteligência Suprema


Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

"Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá."
Hà coisas que estão ocultas do homem mais inteligente da terra, nossas faculdades humanas ainda muito limitadas não conseguem entender a grandeza de Deus, no entanto, se reconhece o autor pela sua obra.
Observemos a natureza, os seres vivos, a harmonia e a ordem que regem o Universo. Onde há leis sábias, equilíbrio e finalidade, há uma Inteligência suprema como causa. Deus se revela em Suas leis, presentes em cada partícula do Universo, e nelas encontramos a prova racional de Sua existência.


Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?

“Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir o que está acima da sua inteligência.”
Em seu comentário, Kardec diz que Deus é, de fato, infinito em sua perfeição, bondade e Amor.
Porém, se considerarmos que a obra de Deus é infinita e exponencialmente crescente, pois Ele nunca para de criar, de trabalhar (“Meu Pai trabalha até agora, e eu também”), teria Deus que ser maior que sua criação. Ora, o autor deve estar acima da obra... Como definir por iguais suas grandezas incompreendidas?!
Definir Deus como “o infinito” é uma tentativa humana de explicar o inexplicável. Não é errado, mas é insuficiente. A palavra “infinito” fala mais sobre o limite do nosso entendimento do que sobre a realidade celestial em si. Deus ultrapassa quaisquer formas, conceitos e definições presas à nossa linguagem limitada!


Que se deve entender por infinito?

“O que não tem começo nem fim; o desconhecido. Tudo o que é desconhecido é infinito.”
Reconhecendo a grandeza do Universo e o a noção de “infinito” proposto pelo homem, Kardec pede a orientação aos Espíritos quanto a esse tema, visto que falar de Deus é também falar sobre sua maravilhosa e grandiosa obra, sobre a criação divina.
Os Espíritos, sabiamente, respondem ao codificador espírita que o infinito pode ser descrito como “aquilo que é desconhecido pelo homem”, quer dizer, a parte da criação de Deus que os Espíritos da Terra ainda não possuem completa compreensão por suas limitações materiais e intelecto-morais. Portanto, concluímos que chamamos de “infinito” àquilo que Deus criou e que  ainda não conseguimos mensurar, sentir ou conceber neste plano terrestre. 


que é Deus?

“Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.”
Quando Kardec pergunta aos Espíritos “que é Deus” ao invés de “quem”, já dá um passo ousado e à frente de sua época. Para que a razão fosse capaz de alcançar uma mínima compreensão da Divindade, foi necessário assumir que Deus não é um homem. Diante da vastidão do Universo e da diversidade dos povos que habitam incontáveis planetas, é orgulhoso da parte do ser humano pensar que Deus assume uma forma também humana.
De acordo com a resposta dos Espíritos, Deus é o princípio de tudo, é a maior inteligência existente de toda a eternidade. Cristo nos apresentou, de forma simbólica, Deus como nosso Pai, para que compreendêssemos sua figura misericordiosa e sua inabalável potência criadora de tudo o que existe e passa a existir a todo instante, visto que Ele não para de criar.
Como ainda não conseguimos compreender essa essência de forma mais precisa pela nossa imperfeição intelecto-moral, eis que devemos senti-Lo tocar toda a criação. Soberanamente Justo e Bom, fonte de todo Amor e Perfeição, presente em todas as partes, conhecedor de todas as coisas. Se não podemos “visualizar”, que possamos sentir em toda forma de amor que vivenciarmos, em toda trajetória pautada no Evangelho do Cristo. Um dia, por fim, conheceremos a grandiosidade do Pai de forma profunda e real.